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sábado, 18 de setembro de 2021

Parábola do Grande Banquete


                              Lucas – Capítulo 14

16 Ele, porém, respondeu: Certo homem deu uma grande ceia e convidou muitos.
17 À hora da ceia, enviou o seu servo para avisar aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado.
18 Não obstante, todos, à uma, começaram a escusar-se. Disse o primeiro: Comprei um campo e preciso ir vê-lo; rogo-te que me tenhas por escusado.
19 Outro disse: Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las; rogo-te que me tenhas por escusado.
20 E outro disse: Casei-me e, por isso, não posso ir.
21 Voltando o servo, tudo contou ao seu senhor. Então, irado, o dono da casa disse ao seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.
22 Depois, lhe disse o servo: Senhor, feito está como mandaste, e ainda há lugar.
23 Respondeu-lhe o senhor: Sai pelos caminhos e atalhos e obriga a todos a entrar, para que fique cheia a minha casa.
24 Porque vos declaro que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

 Muitas vezes a parábola era a melhor forma de trazer a mensagem, que não poderia ser colocada de maneira aberta, direta. Toda parábola traz em si implicações morais e às vezes duras. Além disso, os elementos usados na parábola podem parecer até absurdos. Mas destes elementos duros e absurdos pode-se aprender muito. Alguém poderá aprender de uma maneira que não aconteceria a menos que a história fosse contada. É preciso entender um pouco do contexto e dos costumes do povo de Israel naquela época.

 O entretenimento básico deles era em casa na hora da refeição. E o momento da refeição não era um momento onde as pessoas apenas comiam, mas se divertiam, conversavam, filosofavam e também aprendiam. O jantar era uma grande oportunidade para aprendizado. Hoje em dia as famílias se reúnem muito pouco para um jantar, para discutir coisas pertinentes, espirituais e construtivas para os relacionamentos familiares. Tanto Jesus como os rabinos tinham o hábito de se reunir com as pessoas para jantar e na época sentavam numa mesa de três pernas em formato de "C" para que pudessem ver uns aos outros e discutir.

 Em latim era chamado de triclinium. Muitas parábolas de Jesus foram contadas quando ele estava jantando na casa de alguém. A parábola do grande banquete se encontra em Lucas 14: 15-24. Consideraremos também os versos 25 a 27. Essa parábola de Jesus contém aspectos muito difíceis. Mas, para entendê-la, precisamos conhecer a Bíblia e nesse caso em especial Deuteronômio 20. Neste texto, pessoas que haviam comprado um campo ou uma casa, ou acabaram de se casar ou estão com medo são liberadas da obrigação de ir à guerra. Esse é o primeiro aspecto que fica bem evidente para alguém que conhece a Bíblia.

 Na parábola, as pessoas foram convidadas ao banquete, mas não foram e utilizaram diversas desculpas. E essas desculpas eram legítimas, aceitáveis para não irem à guerra. Mas a questão é: essas desculpas são aceitáveis para não irem ao banquete? Essa questão já fazia parte da discussão que havia na mesa entre Jesus e os convidados, já que um dos que estavam sentados dissera: "Bem aventurado o que comer pão no reino de Deus!". Essa afirmação é caracteristicamente judaica e leva Jesus a declarar a parábola. Todos querem estar no banquete do reino de Deus, mas muitos dão desculpas para não irem, por haverem coisas mais importantes que necessitam de sua atenção.

  Aprendemos, portanto, que as pessoas convidadas tinham as desculpas e não queriam vir enquanto que as pessoas que não foram convidadas, quando os servos do anfitrião saíram para convidá-las, ficaram felizes em comparecer. E quando ainda havia lugar, os servos tiveram que sair de novo para convidar mais pessoas. Qual é o ponto de Jesus ao dizer essa parábola? O ponto é: não esteja tão certo de que você estará no banquete, a menos que realmente queira estar. Não será algo automático. Serão aqueles que forem obedientes aos servos do rei, que mostrarem simpatia ao convite, esses terão alegria no banquete do Reino de Deus. Os que não se mostrarem condescendentes, mesmo que sejam convidados VIP, eleitos, e acharem desculpas, mesmo que lhes pareça razoável, não irão participar daquele banquete.

 E a conclusão de Jesus após essa parábola nos versículos seguintes é: se colocamos alguma coisa, ou alguém ou pai ou mãe na frente Dele e tivermos outras prioridades além dos assuntos concernentes ao Reino de Deus, então não somos dignos de participar do seu banquete. Isso é bem duro e difícil, mas é essa a ideia que Jesus queria transmitir através dessa parábola. Pode ser que um seja convidado VIP, mas a menos que ele compareça e coloque o Reino de Deus em primeiro lugar e Jesus em primeiro lugar na sua vida, essa pessoa provavelmente não estará no banquete se alegrando da festa celestial que todos nós estamos aguardando.

terça-feira, 24 de maio de 2016

O Cachorro e a Lebre

 "Havia num certo lugar caçadores, que dispunham de cães de caça para caçar lebres. Num certo dia, uma lebre passa correndo por entre os arbustos, e um dos cães avistando-a, sai em disparada atrás da lebre. No que ele sai correndo, ele começa a latir para que os outros cães pudessem segui-lo ao encontro da lebre.

 Os caçadores ao ouvirem os latidos, saíram correndo atrás dos cães para acompanhá-los na caçada. No meio do percurso, os caçadores começaram a observar que os cães foram desistindo um por um, porém perceberam que o primeiro cachorro continuava, com seus latidos bem distantes, perseguindo e correndo atrás da lebre."

 Esta história nos traz a seguinte objeção. Porque o primeiro cachorro continuou atrás da lebre e os outros desistiram? Porque o primeiro cachorro estava vendo a lebre, já os outros sabiam que a lebre existia, porém baseados no avisos do primeiro cachorro. 

 Isto retrata a nossa caminhada e vida cristã, desde o início até o fim. Todos aqueles que desistiram no meio do caminho em quererem parar de buscar a Deus, ou seja, "perseguir a lebre". São aqueles que estavam apenas ouvindo os "latidos de outros", se baseavam em Deus apenas no que outras pessoas falavam sobre Ele, porém elas mesmas nunca O viram.

 Esses certamente desistem de buscar a Deus. Esta história nos mostra que precisamos ter um visão de Deus, precisamos contemplá-Lo, isto é o que nos fortalecerá para continuarmos O buscando.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Parábola do Mordomo Infiel - Joseph Shulam


 A parábola em questão é um tanto difícil de ser compreendida por tratar de assuntos desconfortáveis para a maioria das pessoas da civilização ocidental. Trata-se da parábola do Mordomo infiel, ou injusto, pois parece que o que o tal mordomo fez realmente não foi justo. No entanto é necessário entender essa parábola dentro da condição política, sociológica e espiritual dos judeus na terra de Israel, no tempo de Jesus.

Essa parábola é diferente, pois ela não começa da mesma forma que muitas outras parábolas de Jesus que começam com a seguinte frase:

“O reino dos céus é como...” ou “O reino de Deus é semelhante a...”

Vamos à leitura da parábola (Lucas 16:1)

“E dizia também aos seus discípulos: Havia certo homem rico, o qual tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de dissipar os seus bens. E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não poderás ser mais meu mordomo. E o mordomo disse consigo: Que farei, pois que o meu senhor me tira a mordomia? Cavar, não posso; de mendigar, tenho vergonha.
Eu sei o que hei de fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.
E, chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, disse ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?
E ele respondeu: Cem medidas de azeite. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e assentando-te já, escreve cinqüenta. Disse depois a outro: E tu, quanto deves? E ele respondeu: Cem alqueires de trigo. E disse-lhe: Toma a tua obrigação, e escreve oitenta. E louvou aquele senhor o injusto mordomo por haver procedido prudentemente, porque os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz.
E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos. Quem é fiel no mínimo, também é fiel no muito; quem é injusto no mínimo, também é injusto no muito. Pois, se nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?”

Primeiramente, como não há a abertura clássica que se faz para falar sobre o Reino de Deus, entende-se que obviamente ele não está falando agora sobre o Reino de Deus.

 Observa-se que o contexto é retirado da história de José, pois ele foi chamado de mordomo. A palavra grega para mordomo é “Oikomenon”. Desta palavra se tira a palavra economia. Então o mordomo é aquele que lida com a economia da casa, ou seja, é o escriturário ou contador que administra os bens do Senhor daquela casa. Portanto, o mordomo nesta parábola tem o mesmo trabalho designado a José na casa de Potifar e também, anos mais tarde, o trabalho de administrador de toda a riqueza do Egito. E isso é relevante, pois o que José fez? Ele administrou a riqueza do perverso, no caso, dos egípcios idólatras, de Faraó e seu domínio, para poder alimentar seus irmãos e irmãs.

 Providencialmente, aqueles que o odiaram, falaram mal dele e venderam-no acabaram vindo a ele para receber comida e não passar fome em Canaã no período da seca. Então José é aquele mordomo que está sobre o dinheiro do perverso, do injusto. E ele deve administrar esse dinheiro para abençoar Israel, providenciando-lhe uma moradia. Então este mordomo da parábola tem muito a ver com José, por essas razões. Além disso, qual é a situação política na época que essa parábola foi contada? A situação era a da ocupação romana, com a casa de Herodes administrando os interesses dos romanos. Os habitantes de Israel, por sua vez, estavam sob o jugo dos cobradores de imposto e sob pressão política dos romanos.

 E nesse contexto, Roma não estava preocupada com a casa de Herodes ou com Israel, mas apenas interessada com o que eles poderiam fazer que fosse do interesse de Roma (ou seja, fornecer dinheiro). Comparando com a parábola, vemos que o homem rico não está preocupado em descobrir se a acusação de que o mordomo estava dissipando seus bens era ou não verdadeira. Baseado na acusação ele já se dispôs a demitir o mordomo. Ou seja, o homem, assim como os romanos, não está preocupado com o mordomo; e este já se preocupa com o que irá fazer, pois não é capaz de cavar ou mendigar. Então ele tem que se preparar, neste mundo, para tirar proveito da riqueza do perverso, a fim de herdar uma casa, um lugar que tenha um valor eterno.

 E isto fica evidente na parábola, pois ele usa a riqueza dos maus para fazer amigos dentro do chamado dele assegurando sua moradia eterna. O fim da parábola é muito importante. Jesus diz aos seus discípulos que eles devem usar o dinheiro dos maus para fazer o bem para as pessoas deste mundo, que são na verdade devedores. Dentro daquele contexto, devedores de Roma e agora devedores de Deus e de todo mundo neste mundo. Então qualquer riqueza que alguém tiver que provenha deste mundo, que provém dos perversos deve ser aplicada para dar como retorno riquezas eternas e reais. E vemos, da passagem muitas vezes citada de Provérbios 13:22, o que realmente Jesus está ensinando nesta parábola:

O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos; a riqueza do pecador, porém é reservada ao justo.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Parábolas - As Quatro Mulheres na Igreja


Quatro mulheres chegaram à uma IGREJA vestidas com roupas bastante indecentes que mostravam muito bem os seus corpos.
O pastor deu uma boa olhada para elas e disse-lhes para que se sentassem. Então ele disse algo que elas nunca esquecerão na vida. Ele olhou para elas diretamente e disse seriamente: "Senhoras, tudo o que Deus fez valioso neste mundo está bem coberto e é difícil ver, encontrar ou obter.

1. Onde você encontra os diamantes? Lá no fundo da terra, coberto e protegido.
2. Onde você encontra pérolas? No fundo do oceano, coberto e protegido numa bela concha.
3. Onde você encontra ouro? Lá em baixo, coberto com camadas de rocha e para obtê-lo você tem que trabalhar duro e cavar fundo.


 Ele olhou novamente para elas com os olhos sérios e disse;
"Vosso corpo é sagrado e único" Vocês são muito mais preciosas do que o ouro, diamantes e pérolas, e vocês devem serem cobertas também. "Então ele acrescentou que, se vocês mantiverem vossos minerais precioso como ouro, diamantes e pérolas, profundamente coberto, uma organização respeitável de mineração com a maquinaria necessária vai realizar anos de exploração extensiva.


 Primeiro eles entrarão em contacto com o seu governo (a família), vai assinar contratos profissionais (casamento) e mina-lo profissionalmente (casamento civil)
.

 Mas se você deixar seus preciosos minerais descobertos na superfície da terra, você sempre vai atrair grande número de mineiros ilegais para vir e explorar-te ilegalmente.
Mantenha seu corpo profundamente coberto para que ele convide mineiros profissionais para persegui-lo.Vamos todos incentivar as nossas esposas, amigas e filhas a vestirem-se bem e decente!Tenho dito muito obrigado.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Parábola dos Talentos

Mateus 25.14 - Pois será como um homem que, ausentando-se  do país, chamou os seus servos e lhes confiou os seus bens. 
15 - A um deu cinco talentos, a outro, dois e a outro ,um a   cada um segundo a sua própria capacidade; e, então, partiu. 
16 - O que recebera cinco talentos saiu imediatamente a negociar com eles e ganhou outros cinco. 
17 - do mesmo modo, o que recebera dois ganhou outros dois. 
18 - Mas o que recebera um , saindo, abriu uma cova e escondeu o dinheiro do seu senhor. 
19 - Depois de muito tempo , voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles, 
20 - Então, aproximando-se o que recebera cinco talentos, entregou outros cinco, dizendo : Senhor , confiaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que ganhei. 
21 - Disse-lhe o Senhor : Muito bem, servo bom e fiel ; foste fiel no pouco , sobre o muito te colocarei ; entra no gozo do teu Senhor. 
22 - E, aproximando-se também o que recebera dois talentos ; disse: Senhor, dois talentos me confiaste ; aqui tens outros dois que Ganhei. 
23 - Disse-lhe o Senhor : Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei ; entra no gozo do teu Senhor. 
24 - Chegando, por fim, o que recebera um talento, disse : Senhor , sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste  e ajuntas onde não espalhaste,
25 -receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu . 
26 -Respondeu-lhe, porém, o senhor : Servo mau e negligente, sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde espalhei ? 
27 - Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros; e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. 
28 - Tirai-lhe , pois, o talento e daí-o ao que tem dez. 
29 - Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância ; mas ao que não tem, até o que  tem lhe será tirado. 
30- E o servo inútil,lançai-o para fora, nas trevas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

 No início desta parábola vemos Jesus falando novamente a que o reino dos céus é semelhante. Ele começa dizendo que "um homem se ausentou do país e confiou seus bens a seus servos". Ora este homem que se ausentou do país é Jesus que morreu, ressuscitou e retornará para seu reino. Ele continua dizendo que um recebeu cinco talentos, outro dois e outro um, cada um conforme a sua capacidade.

 Vemos que existem três níveis dentro do reino de Deus, uns receberam muitos talentos, ou seja, muitas responsabilidades, outros receberam de maneira mediana e outros receberam poucas responsabilidades, no entanto, todos receberam algum talento. Vemos um paralelo pois na parábola dos semeadores são também três níveis de produção, a saber, cem, sessenta e trinta. 

 Observamos que a cada um foi dado conforme a sua capacidade, ou seja, conforme o que cada poderia administrar para fazer multiplicar. Deus nunca nos dará uma responsabilidade acima da nossa capacidade (ainda que pareça ser). Assim Deus julgará cada um conforme a capacidade de cada um. Vemos que os dois primeiros servos tiveram um rendimento de 100% sobre aquilo que o seu senhor lhes confiou, porém, Deus não cobrará 5 talentos para quem recebeu apenas 1, pois não foi lhe dada esta capacidade.

 Assim nos diz Tiago em sua epístola no capítulo 3, versículo 1 - Meus irmãos, não vos torneis muitos de vós, mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo. A severidade do juízo não é igual para todos pois nem todos receberam a mesma responsabilidade. Jesus também nos diz em Lucas 12:48 - ...Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.

 Deus não pede muito para aquele que recebeu pouco , e nem pouco para aquele que recebeu muito. Deus exigirá de cada um conforme a capacidade que recebeu. Vemos que receber mais ou receber menos, não designa a ninguém grau de importância, como se uns fossem mais e outros menos, mas Deus pela Sua vontade designou uns com mais capacidades do que outros, porém vemos que o tempo e oportunidade é sucedida a todos e não somente aos melhores como pensamos.

 Isso quem explica é Salomão em Eclesiastes 9:11 -  Vi ainda debaixo do sol que não é dos ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão, nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo depende do tempo e do acaso. 

 Pensamos, como Salomão também pensava, que só os melhores é que conquistavam coisas, que só os ligeiros conseguiam o prêmio e só os valentes conseguiam a vitória. Porém ele observou que nem sempre era assim, que em muitas vezes o tempo e o acaso faziam que as pessoas conquistassem o prêmio, a vitória, o pão, a riqueza e o favor; e o tempo e o acaso foi algo concedido a todos.

 O talento no sentido literal, significava em média 35Kg de ouro ou de prata, um talento significava naquela época ao salário de 20 anos, se fosse em prata a quantia dada o seu valor seria em média a US$60.000,00 dólares, se fosse de ouro seria US$ 1.800.000 dólares, ou seja, mesmo o que recebeu um talento recebeu bastante.

 Vemos que o primeiro a sair para negociar foi o que recebera mais, logo após ele foi também negociar o que recebera dois talentos. Porque o que recebera mais foi o primeiro? Pois não somente seus talentos pesavam mais, como também sua consciência, o peso da sua grande responsabilidade o fazia agir de maneira mais diligente e ágil. Da mesma forma o que recebera dois, embora tivesse recebido de maneira mediana, ele também possuía muitas responsabilidades e teria que prestar conta daquilo que recebeu do seu senhor, sua consciência pesava um pouco menos, mais ainda sim ele tinha responsabilidades a exercer.

 Mas o foco principal desta parábola se concentra no que recebera menos talentos, pois esta é uma advertência para que não caiamos no mesmo erro. Há muitas revelações, interpretações e aprendizado que podemos extrair deste último servo. A primeira é que ele tinha menos responsabilidades do que os outros, ou seja, sua consciência em relação aos outros pesava um pouco menos, e até mesmo por ele ver como os outros dois servos estavam trabalhando e indo bem nos negócios, pensou que poderia "relaxar" um pouco pois não faria muita diferença a sua contribuição e esforço tendo em vista que a maioria já estava trabalhando. É aquele pensamento que diz: "A minha contribuição não fará tanta diferença assim, pois, o que é um grão de areia no meio do deserto?"

 A parábola nos diz que o último servo, abriu uma cova e escondeu o talento do seu senhor. Esconder o talento, significa não utilizá-lo, a Bíblia nos fala que a terra também significa o ser humano,  Gênesis 2:7 - Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra..., ou seja, esconder o talento dentro da terra, é esconder o talento dentro de si, é não fazê-lo se manifestar.

 Algo interessante é que de acordo com a lei rabínica, o ato de enterrar o dinheiro era considerado a forma mais segura contra o roubo. Se a uma pessoa fosse confiada uma quantia em dinheiro e ela o enterrasse tão logo estivesse em seu poder, ela estaria livre da culpa se algo acontecesse com ele. O oposto era verdade se o dinheiro fosse enrolado em um pano. Nesse caso, a pessoa era responsável por cobrir qualquer perda (prejuízo) incorrida devido a má administração do depósito que lhe foi confiado. 

 Mas vemos que Jesus inverte o entendimento desta lei, pois ele considerou enterrar o talento, como um prejuízo, ainda que o servo não tivesse perdido. Jesus exige no mínimo os juros daquilo que foi emprestado deverá ser devolvido. Sabemos que na parábola talento significa dinheiro, mas o que podemos entender como talento nas nossas vidas?

 Talento é tudo aquilo que Deus lhe confiou em suas mãos, o que poderia ser: dons, capacidades, possibilidades, oportunidades e até mesmo dinheiro, pois a Contribuição também é um dom de Deus (cf., Rm. 12:8). Talento é tudo aquilo que Deus nos revela, pode ser a intercessão pela vida de alguém, o cuidado de almas, o crescimento no relacionamento com Deus, a proclamação e testemunho do reino, e etc.

 Paulo fala em Romanos 12 que todos nós recebemos diferentes dons, conforme a graça que nos dada. Então ele começa a citar estes dons que são: profecia, ministério, ensino, exortação, contribuição, presidir (governo) e misericórdia. Em I Coríntios 12 ele continua falando sobre outros dons que nos foram dados, ele diz: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, fé, dons de curar, operações de milagres, profecia, discernimento de espíritos, variedades de línguas e interpretação de línguas.

 Também em Efésios 4:11, ele diz: Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres. Em I Pedro 4, ele fala sobre sermos hospitaleiros, a servimos conforme o dom que recebemos. Então percebemos que muitos dons e capacidades nos foram confiados, conforme a capacidade de cada um. A Palavra de Deus, sempre nos convida a crescer, frutificar, multiplicar, a seguir para o alvo, então Deus requer de todos a diligência e à aplicação daquilo que Ele nos confiou.

 A parábola prossegue dizendo que: "Depois de muito tempo , voltou o senhor daqueles servos e ajustou contas com eles...". Vemos que no início da parábola foi dito que um "homem" que se ausentou do país, mas quando ele volta é dito que voltou o "senhor" daqueles servos, e este é Jesus, que veio como homem para terra, mas retornará como senhor.

 Então ele começa chamando aquele a quem ele deu mais talentos. Conclui-se que no julgamento (Tribunal de Cristo), aqueles que receberam mais responsabilidades serão os primeiros a serem julgados. Vemos que mesmo que foram dadas responsabilidades diferentes para cada um, a gratidão e o elogio que Jesus faz aos servos é a mesma quando ele diz: -  Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei ; entra no gozo do teu Senhor.

 Vemos que aos olhos de Jesus aquilo que ele lhes tinha confiado era pouco comparado ao que eles receberiam.  Agora estes dois realmente seriam administradores de coisas grandes, a primeira administração é apenas um teste para a segunda, pois Jesus nos diz na parábola do Administrador Infiel que: Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito. (Lc.16.10). Agora estes dois servos administrariam a verdadeira riqueza na qual é incorruptível e não tem fim. Também devemos ressaltar que Jesus não elogiou a quantidade multiplicada, mas sim a fidelidade dos servos. 

 Será aprovado o servo que for considerado "bom e fiel". Ser bom está relacionado ao que eu faço para Deus, e ser fiel é o que sou para Ele, o meu caráter! Existem os dons do Espírito e o fruto do Espírito. Os dons são ferramentas que o Espírito concede aos seus servos para execução dos seus serviços. Já os frutos vem como resultado da nossa comunhão com Deus, eles mostram o grau de intimidade que temos com o Altíssimo e refletem o que somos! Quer dizer: os dons estão relacionados ao que nós fazemos e os frutos ao que nós somos. 

 Há também nesta parábola, um paralelo com a Parábola das Minas. Na dos Talentos é dado oito talentos para três servos conforme a capacidade de cada um, na das Minas é dado dez minas para dez servos, ou seja, foram dadas em quantidades iguais para cada um; na dos Talentos a multiplicação foi proporcional àquilo que foi recebido, já nas das Minas a multiplicação foi desproporcional.

 Um talento vale muito muito mais que uma mina, vale sessenta vezes mais, e uma mina é o equivalente a cem dracmas ou denário que é o valor pago por um dia de serviço. Então na parábola dos Talentos eles receberem o valor de vinte anos trabalhados, já nas das Minas eles receberam por 100 dias de trabalho.

 Na parábola dos Talentos o servo mau foi castigado, já na das Minas ele não foi castigado. Na parábola dos Talentos a recompensa foi entrar "no gozo, na alegria no seu senhor", já nas das Minas a recompensa foi governar cidades. Na Parábola dos Talentos, não nos é dito a recompensa apenas que "sobre muito ele nos colocará", e diz entra "no gozo no teu senhor", ou seja, na alegria do seu senhor, que certamente é as Bodas do Cordeiro, que será motivo de grande alegria para Jesus. 

 Fala que o servo mau não entrou no gozo do seu senhor e foi lançado nas trevas. Isto significa que ele perdeu a salvação? Paulo responde isso em I Coríntios 3:12-15 - Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo.

 Vemos que esta pessoa perdeu seu galardão, sofreu algum tipo de dano, mas foi salva; em Mateus 22 na Parábola das Bodas, fala sobre um dos convidados que foi retirado da festa pois não estava com a veste nupcial e o mesmo foi lançado nas trevas. Poderá ser que ao passar pelo fogo, suas vestes também "não sobreviveram", e o mesmo não pode participar da festa. Mas o que vem a ser estas trevas que eles serão lançados?

 Uma das interpretações poderia ser que eles apenas ficariam de fora das Bodas ou também seriam devolvidos a terra onde o AntiCristo estaria reinando e consequentemente teria que enfrentar a grande tribulação. E por que trevas? Pois neste neste tempo o sol escurecerá e a lua não dará a sua luz (Mt.24.29).

 Na parábola das Minas vemos que o servo mau não governou sobre nenhuma cidade. Há duas possibilidades que poderão ocorrer a esse servo. A primeira é que ele não reinará com Cristo, porém permanecerá vivo no Milênio. E a segunda é que ele morrerá e ressuscitará após os mil anos, como o seu nome estará no livro da vida, o mesmo será salvo. A recompensa da parábola das Minas fala sobre o Reino Milenar de Cristo na terra, ele menciona isso também em Apocalipse 2:26 - Ao vencedor, que guardar até o fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações,.. 

 Então prosseguindo na parábola vemos o julgamento do servo que menos recebeu, ele faz a seguinte declaração: "Senhor, sabendo que és homem severo, que ceifas onde não semeaste  e ajuntas onde não espalhaste, receoso, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu . 

 Vemos primeiramente que o servo mau, justificou a sua negligência não a ele próprio mas sim devido a seu senhor, ele não culpo a si mesmo, mas ao seu senhor. Da esma forma agiu Adão quando pecou atribuiu metade da culpa a Eva e metade da culpa a Deus, quando ele disse: - A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi.(Gn.3:12).

 Ou como Saul que em I Samuel 15, quando ele coloca a culpa da desobediência sobre o povo, e mesmo depois de exortado, insistiu em colocar a culpa sobre o povo e na terceira vez quando ele realmente reconheceu seu erro, queria ao menos ser honrado diante dos anciãos e diante de Israel. Saul queria a própria glória e não a de Deus.

 O segundo ponto é que este servo achava que conhecia a seu senhor, ele porém possuía um conhecimento errado de Jesus, este servo não buscou conhecer seu senhor para poder receber dele a orientação e os ensinamentos necessários para o seu sucesso, pois a capacidade de administrar os dons espirituais tem alicerce espiritual.

 Paulo explica isso em I Coríntios 2.11-12 - Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, "para que conheçamos o que por Deus nos foi dado".

 Jesus também faz uma afirmação parecida em João 15.5 - ...Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. A partir dessas afirmações concluímos que a única maneira de frutificarmos e fazermos nossos talentos multiplicarem é buscando conhecer ao SENHOR e permanecer em Cristo.

 A parábola prossegue dizendo que este servo achava que seu senhor era tão severo que ceifava onde não tinha semeado e ajuntava onde não tinha espalhado. Ou seja, ele cria que seu senhor iria cobrar e exigir dele até aquilo que ele não tinha dado. Porém vemos que Jesus o senhor da parábola aparentemente parece concordar com a afirmação do servo.

 Porém, a verdade é que Jesus usou suas próprias palavras contra ele mesmo, usou a visão que o servo tinha dele contra ele próprio. Ele disse: - ...sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde espalhei ? Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros; e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu.

 Em outras palavras seria como se Jesus tivesse dito: Se, na tua opinião, exijo aquilo que não dei, com muito maior razão exigirei de ti o que te entreguei para obter lucros. Jesus não deixou nem que a falsa visão que este servo tinha a seu respeito, fosse usado como desculpa para sua negligência.

 Há uma lei inexorável, tanto na natureza como na graça, que diz: "aquilo que não usamos, perdemos". Aumentamos o que temos pelo uso; ganhamos perdendo. Provérbios 11:24 diz: A quem dá liberalmente, ainda se lhe acrescenta mais e mais; ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda.

 Coloque seu braço numa tipoia e deixe-o ficar assim por alguns meses. No fim verá que perdeu o uso dele. O que faz um lutador campeão ter braços e músculos tão fortes? Todo mundo sabe  a resposta. Porque ele os usa treinando e lutando. Ou seja, àquilo que usamos ganhamos (ao que tem se lhe dará), mas se não usarmos perdemos (e ao que não tem até o que lhe será tirado Mt.25.29).

  Jesus então menciona uma condição que seria o mínimo que ele poderia ter feito. Jesus diz: - Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros; e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. Quem são esses banqueiros que Jesus se refere? 

Bem primeiro precisamos entender no sentido da parábola. Todos sabemos que ao depositarmos o nosso dinheiro em um banco, os juros daquele dinheiro que lá está nos é devolvido, ou seja, se alguém deixa determinada quantia de dinheiro em um banco, e após um ano, for até esse banco e sacar o valor depositado, verá que a sua renda aumentou devido ao juros que foram acrescidos àquele valor. 

 Então Jesus disse que se ele tivesse feito isso, o mínimo de lucro que ele teria de volta era os juros sobre àquele valor. Então os banqueiros seriam (a igreja, um grupo, uma comunidade) na qual nós "investiríamos o nosso talento", porém este talento agora seria deles, nosso investimento seria aos banqueiros (ou seja, num lugar aonde há muitos talentos.

 E o juros? Os juros seriam parte daquilo que foi multiplicado pelas pessoas em que nós investimos os nossos talentos. Exemplo: Digamos que uma pessoa pague e ajude um missionário a fazer uma viagem para determinado lugar, e em meio a essa viagem esse missionário converte almas, ou ajuda pessoas necessitadas, planta sementes da palavra nos corações das pessoas e etc. 

 Deus certamente irá recompensar este missionário por aquilo que fez, e o homem que investiu na vida dele receberá parte daquilo que este missionário colheu, esta parte é o juros. Ou seja, esse homem entregou seu talento (dinheiro) ao banqueiro (missionário), o que esse missionário fez foi a utilização do seu próprio talento, mais o do homem que o ajudou nesta viagem, quando ele recebeu do senhor a paga do que havia feito, parte do que ele colheu foi para o homem que pago a sua viagem e isto é o juros que Jesus pediu do servo mau.

 Devemos tomar muito cuidado com o pecado da negligência e da omissão, pois em muitas vezes nos atemos apenas nas coisas que nós não devemos fazer, e nos esquecemos de que também temos que fazer coisas, não podemos ficar parados. 

 Paulo fala em 1Tessalonicenses 5:17 - Orai sem cessar, ou seja, não podemos jamais sequer negar este chamado da vida de oração. Pedro na sua segunda epístola nos convida a reunirmos toda a nossa diligência(IIPe.1.5).

 Diligência significa: ativo, zeloso, presteza em fazer algo. Esse é o primeiro passo, após isso ele nos exorta a associarmos com a diligência, a fé, com a fé, a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.(IIPe.1.5-8). Vemos que ele disse que o resultado disso é que não seremos "infrutuosos" nem tampouco "inativos", não seremos servos preguiçosos mas estaremos em constante crescimento. 

 Podemos também ver outro tipo de servo, nesta parábola Jesus fala sobre o servo inútil, isto ele nos conta em Lucas 17.10 Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer. Jesus disse que não necessidade de agradecer àquilo que nós temos que fazer.

 Digamos se alguém foi contratado para varrer o chão, e após ter terminado o seu serviço, este receberá por aquilo que fez, porém nada além disso, seu patrão não lhe dirá: - Muito obrigado por ter varrido o chão!, pois esta era a sua função.

 Vemos que nosso chamado é sempre fazermos algo a mais. Na lei romana daquela época era dito que: um cidadão romano poderia exigir de um cidadão dos povos dominados que carregasse para ele uma carga por uma milha. Os judeus é claro, que eram um dos povos dominados, se indignavam com esta lei.

 Mas Jesus disse que eles não deviam apenas carregar uma milha, mas sim duas. Jesus disse que se alguém demandar conosco a tirarmos a nossa capa, devemos também deixar a túnica, se alguém ferir a nossa face no lado direito devemos oferecer também o nosso lado esquerdo, ele disse que devemos amar os nossos inimigos, orar pelos que nos perseguem, pois não há recompensa para quem ama somente seus amigos, pois qualquer um pode fazer isso. Não somos chamados para ter um padrão mundano, mas sim divino.

 Então vemos que há três tipos de servos, o primeiro é o mau e negligente - Este servo não utiliza os recursos que seu senhor lhe confiou, e isto se deriva pela sua falta de conhecimento de seu senhor, e não conhece seu senhor pois é negligente.

 O segundo servo é o inútil - Este servo faz tudo o que lhe foi mandado, mas Jesus já deixa bem explícito,... Porventura, terá de agradecer ao servo porque este fez o que lhe havia ordenado?(Lc.17.9).  Ou seja, não espere tal servo que terá reconhecimento diante de Deus, pois fez apenas o que havia sido ordenado para fazer, se contentou em fazer o que todo mundo faz.

 E o terceiro é o servo Bom e Fiel - Este servo utiliza aquilo que o seu senhor lhe confiou, ele glorifica a Deus por aquilo que ele multiplicou, pois na Parábola das Minas, em Lucas 19, os servos falam da seguinte maneira: - Senhor a tua mina rendeu tanto. Vemos que eles dizem a "tua" mina, eles aplicam o reconhecimento ao capital e não em suas habilidades, não em si mesmos, são homens gratos. Em outras palavras é como se dissessem: - Senhor o que tu me deu, me fez multiplicar tanto. Esses servos também são os que "andam a segunda milha", não se satisfazem em fazer só o que é de sua obrigação, mas também aquilo é preciso ser feito.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Parábola do Semeador

 Mateus 13.3 - 9- ... E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.
E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na;
E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda;
Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz.
E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na.
E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta.
Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. 

 Analisando esta parábola vemos primeiramente que há um semeador que é:Jesus Cristo, na qual lança sementes, estas sementes são a própria Palavra de Deus o Evangelho de Jesus Cristo, (I Pedro 1:23), (I João 3.9). Porém Jesus nos mostra que existem quatro tipos de solos nas quais estas sementes caem, os solos são os corações das pessoas que ouvem a palavra. Estes são os solos:os da beira do caminho, os que possuem solos rochosos, os que possuem solos espinhosos e os que possuem boa terra.

 Esta parábola confirma o que Jesus disse nos sermão do monte, de que: ...estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela (Mateus 7.14). Porque como vemos a cada quatro que ouve a palavra um apenas se converte, vemos também este mesmo paralelo na Parábola das virgens, pois das dez apenas cinco entraram para as bodas com o noivo, dos dez leprosos apenas um voltou para dar glória a Deus. 

1º Solo - Beira do Caminho

 O primeiro solo fala sobre os que caíram a beira do caminho: estes são os que não compreendem a palavra do reino, tornando-se incapazes de frutificar para Deus. Um exemplo destes(dos da beira do caminho) foi o que ocorreu em João 8:43. Jesus disse aos judeus que estavam discutindo com ele, que os mesmos eram incapazes de ouvir a sua palavra; mas isto ele se referia não no sentido de escutar o que ele estava dizendo, mas sim de entender o que ele estava falando.

 Vemos também algo muito interessante,que Jesus falava por meio de parábolas para que realmente eles não entendessem o que estava sendo dito, pois ele fala que por meio disso a profecia de Isaías se cumpriria neles, quando ele diz: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis...(Mateus 13.14).

 Porém vemos também que Jesus revela a Palavra do Reino para os seus discípulos, e os seus discípulos são "aqueles a quem ele escolhe", como ele fala em João 15.16 - Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros.... Por que Judas foi o que traiu Jesus? Porque Jesus não o havia escolhido. Isto ele fala em João 6.70 - ...Não vos escolhi em número de doze? Contudo, um de vós é diabo.

 Para Judas as verdades do Reino não eram reveladas, ele não era um filho de Deus e sim um filho do diabo como Jesus fala para os judeus em João 8:44 - Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhes os desejos.... Ou seja os da beira do caminho, são em tudo semelhantes ao diabo. Jesus disse que ele jamais se firmou na verdade, ou seja, seus filhos procederão da mesma forma, mesmo que estejam diante da própria verdade que é Cristo Jesus (João 14:6), não poderão permanecer nela.

 Aqueles judeus achavam que Deus era seu pai, mas Jesus lhe explicou que isto era impossível, pois havia um efeito no qual eles não tinham e que somente um filho de Deus poderia ter que era, amar a Jesus (João 8:42). Jesus também fala que os que são dele ouvem a sua voz e o seguem (João 10.4). No mundo espiritual não existe meio termo ou servimos a Deus ou servimos ao diabo, somos ovelhas ou somos bodes.

 Jesus é um pastor de ovelhas e não de bodes, e ele sabe que as ovelhas ouvem e reconhecem a sua voz, já os bodes não o reconhecem, pois o diabo é o pastor de bodes, tanto que hoje o satanismo utiliza-se deste símbolo "o bode" para representar o seu líder (Satanás).

 Paulo também fala que em II Coríntios 4:3 e 4 - Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo... Vemos que os incrédulos são os que as aves (os demônios) possuem legalidade para tirar o que foi semeado, o único campo que as aves podem pegar a semente é nos da beira do caminho que são os que não compreendem a Palavra e não compreendem porque estes são filhos dos diabo e todos seus filhos procedem como seu pai, não se firmam na verdade, ou seja, esta semente(da verdade), não pode permanecer neles.

2º - Solo Rochoso

 O segundo solo é o rochoso. Jesus explica que estes recebem a palavra com alegria. Muitas vezes ocorre de alguém receber a palavra e a alegria ser gerada por meio dela, porém este é o efeito inicial da palavra, o fruto ainda não foi gerado. Observa-se que podemos receber a palavra com alegria e logo após nos escandalizarmos devido a perseguição por causa da palavra, e seremos os de pouca duração que são os de solos rochosos. Jesus fala que neste solo a terra era pouca. 

 Não podemos nos esquecer que Deus nos fez do pó da terra, ou seja, somos feitos de terra e não de pedra, estas pedras não fazem parte de nós, estas devem ser retiradas, pois a semente só poderá se desenvolver de maneira progressiva e contínua se houver bastante terra para que ela se cresça e germine. Porém vemos que este segundo solo a terra era pouca, devido as pedras que ali estavam, e deste modo a palavra não pode perdurar por muito tempo. Jesus fala que: "saindo o sol, a queimou, e por que não tinha raiz, secou-se".

 O sol representa o calor, ou seja, a provação. Toda semente para ser germinada necessita do calor do sol, e a palavra da mesma forma também é germinada em nós por este mesmo sistema. Jesus continua a parábola dizendo que: porque não tinha raiz, secou-se. Toda planta ao se desenvolver, gera raízes que se aprofundam cada vez mais no interior do solo, até encontrar umidade (água) para que esta sobreviva, se isto não ocorrer, como em consequência de pedras no solo, a planta se secará. 

 Como sabemos o sol aparece todos os dias, então temos a certeza de que o sol virá. Da mesma forma teremos que estar cientes de que a provação certamente virá. Mas qual a falha deste segundo? Sua falha foi no fato de que este não era firme, resistente em si mesmo, pois não possuía raízes. Se a palavra não estiver enraizada, certamente esta não durará muito tempo, pois a provação dará conta de fazê-la morrer.

 Vemos que o solo rochoso, recebe a palavra na alegria, porém não na tristeza, e todos os que querem servir a Deus somente na alegria, não querem realmente um compromisso com Ele, pois um verdadeiro voto é aquele que fazemos ao assumirmos um compromisso com alguém, de que seremos fiéis tanto na alegria com também na tristeza.

3º - Solo Espinhoso

 O terceiro solo fala dos que possuem espinhos em si. Jesus fala que os espinhos são cuidados do mundo e a fascinação das riquezas, estes espinhos sufocam a palavra, em Marcos ele fala que estes espinhos concorrem com a palavra, ou seja, os dois exercem grande influência sobre a terra. Os dois disputam o mesmo solo.

 É por isso que Jesus disse em Mateus 6.24 que: Ninguém pode servir a dois senhores... Não podeis servir a Deus e as riquezas. Em Gênesis, Deus profere uma maldição a terra devido o pecado de Adão. Deus fala da seguinte forma: ...maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos....

 O que isto significa sob uma conotação espiritual? Isto significa que o homem (a terra) não somente produzirá bons frutos, porém produzirá maus (cardos e abrolhos), e como vemos os dois possuem grande influência sobre "a terra", porém cabe a nós tirarmos estes espinhos. Deus também disse que: em fadigas obterás da terra o sustento.

 Ou seja, o fruto terá que passar pelo processo como vemos: a semeadura, a germinação, o calor do sol, a penetração das raízes, nela não poderá ter rochas nem espinhos, coisas que exigirão esforço e consequentemente a fadiga para que assim a semente dê fruto. Então os frutos são gerados com muito esforço. Por esta parábola também entendemos quem são os falsos profetas.

 Jesus nos fala em Mateus 7.16 - Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos os abrolhos?. Jesus utiliza-se de duas árvores nas quais ele menciona bastante e que era muito comum naqueles dias que eram as videiras e as figueiras, ou seja, estas eram frutas que eles conheciam, não teriam muita dificuldade de reconhecê-las.

 Porém ele pergunta: Estas frutas podem ser tiradas dos espinheiros ou dos abrolhos? Ou seja, alguém que produz espinhos e abrolhos pode gerar estes frutos? Então aqui Jesus nos dá o caráter de alguém que é lobo e falso profeta, estes produzem espinhos, ou seja, só se preocupam com as coisas terrenas(Fp. 3.19). 

 Jesus nos fala que estes se apresentam disfarçados de ovelhas (Mt. 7.15), ou seja, eles se parecem com ovelhas, em Lucas podemos ver o porque eles conseguem enganar a muitos. Em Lucas fala que os espinhos que eles possuem não deixam os frutos amadurecerem. Então existe algo visível neles, algo que dá a entender que é; que são frutos não maduros, porém fruto que não é maduro é fruto ruim.

 Os que possuem espinhos, vão aparentar serem ovelhas, vão aparentar terem bons frutos, mas no seu interior ainda são lobos e seus frutos não são bons, pois Jesus fala toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo, ou seja, Jesus abre uma possibilidade de alguém gerar fruto, mas este não ser bom. Alguém poderia dizer que o mau fruto são os pecados.

 Porém Paulo descreve como "obras" e não "fruto" aquilo que a carne produz (cf. Gl. 5.19). Então seguindo o mesmo contexto que Jesus faz a aplicação do falso profeta, que sabemos que é o que produz espinhos, conclui-se que o mau fruto é o fruto que não é maduro.
 
4º - Solo Frutífero (Boa Terra)

 O último solo são os que compreendem a Palavra do Reino. Estes possuem características totalmente diferentes dos demais, estes primeiramente são os que Jesus diz em Mateus 13:11 - Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus..., estes foram escolhidos por Jesus, não podemos pensar que os que entendem a palavra são porque são mais inteligentes que os outros, pois todos os discípulos eram homem iletrados, não inteligentes conforme a sociedade, porém os mesmos possuíam a revelação de Deus.

  Estes conseguem ouvir a palavra de bom e reto coração.Sabemos que a semente deve ter o crescimento tanto para baixo (raízes) quanto para cima(frutos). Os de solo rochoso crescem apenas para cima, ou seja, é algo só aparente, é por isso que não duram por muito tempo. Já os da boa terra, conseguem criar raízes pois não possuem rochas em seu solo, conseguindo eles a firmeza necessária para suportar o calor da provação.

 Também não possuem espinhos em seu solo, servem apenas a um senhor, e por efeito os da boa terra frutificam com perseverança. Vemos também que há diferenças na frutificação, uns produzem cem, outros sessenta e outros trinta. Vemos também que são três que receberam os talentos: um recebeu cinco, outro dois, e outros um, conforme a capacidade de cada um. E assim também sucede naqueles frutificam, cada um conforme a sua capacidade.