sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Meteus 5 - Comentário Bíblico

 

Mateus 5 

1 Vendo Jesus as multidões, subiu ao monte, e, como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos;

 Poderíamos ver as bem-aventuranças também como um "subir no monte", onde o discípulo segue seu mestre e sobe níveis de caráter.

2 e ele passou a ensiná-los, dizendo:

3 Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.

Primeiro nível: Novo nascimento/Criança espiritual.

4 Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.

Segundo nível: Quebrantamento pela atuação do Espírito. Gemidos do Espírito para que Cristo seja gerado em nós.

5 Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.

Terceiro nível: Após o quebrantamento, onde sai todo o peso, ansiedade; a pessoa se torna mansa.

6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.

Quarto nível: O desejo de fazer a vontade de Deus é aumentado, pois sabemos que este é o único caminho e esta é a única verdade.

7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.

Quinto nível: No nível 4 temos o ardente desejo de fazer a vontade de Deus e também de ver outros fazendo o mesmo, mas a realidade não se mostra sempre assim e é aí então que exercitamos a misericórdia. 

8 Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.

Sexto nível: O exercício dos níveis anteriores trará purificação ao coração.

9 Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.

Sétimo nível: O servo de Deus não permitirá, quando possível, conflitos em sua presença. Muitas vezes será necessário usar a "força", um posicionamento mais severo para que não haja conflitos.

10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.

Oitavo nível: Paulo já dizia que todos quantos querem viver piedosamente em Cristo serão perseguidos(2Tm.3.12)

11 Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.

Último nível: Jesus nos estimula a perseverarmos quando alcançarmos este nível. Este é o nível de profeta.

12 Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.

13 Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.

O sal insípido era colocado nos degraus das escadas para que as pessoas não escorregassem.

14 Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte;

15 nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa.

16 Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.

17 Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.

18 Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra.

19 Aquele, pois, que violar um destes mandamentos, posto que dos menores, e assim ensinar aos homens, será considerado mínimo no reino dos céus; aquele, porém, que os observar e ensinar, esse será considerado grande no reino dos céus.

Assim como há hierarquias no mundo terreno, assim também há no mundo celestial.

20 Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus.

Os escribas e fariseus faziam tudo quanto a lei dizia: Ajudavam os necessitados, as viúvas, dizimavam, ofertavam, eram missionários, liam as Escrituras, oravam; porém faziam tudo isso com as motivações erradas.

21 Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento.

22 Eu, porém, vos digo que todo aquele que [sem motivo] se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.

23 Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti,

Esta oferta aqui não era a que é ofertada no gazofilácio, mas sim a "oferta pelo pecado", ou seja, sacrifício.

24 deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta.

25 Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.

26 Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.

27 Ouvistes que foi dito: Não adulterarás.

28 Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela.

29 Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno.

30 E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.

Olhos: Ver / Mãos: Fazer

Se aquilo que eu olho ou o que eu faço me faz tropeçar, eu devo abandonar. Se aquilo que é lícito a todos, como possuir um olho e uma mão, me faz tropeçar, eu devo renunciar.

31 Também foi dito: Aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio.

32 Eu, porém, vos digo: qualquer que repudiar sua mulher, exceto em caso de relações sexuais ilícitas, a expõe a tornar-se adúltera; e aquele que casar com a repudiada comete adultério.

33 Também ouvistes que foi dito aos antigos: Não jurarás falso, mas cumprirás rigorosamente para com o Senhor os teus juramentos.

34 Eu, porém, vos digo: de modo algum jureis; nem pelo céu, por ser o trono de Deus;

Naquela época muitos judeus achavam que escapariam do pecado de perjúrio se em seus juramentos evitassem usar o nome de Deus. Um dos ditos rabínicos era: "Assim como o céu e a terra passarão, assim passará o juramento feito por eles".

Ref. Is.66.1 

35 nem pela terra, por ser estrado de seus pés; nem por Jerusalém, por ser cidade do grande Rei;

Ref. Sl.48.2

36 nem jures pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto.

37 Seja, porém, a tua palavra: Sim, sim; não, não. O que disto passar vem do maligno.

38 Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente.

Ref.Êx.21.24/Lv.24.19-24

A Lei também era uma forma de proteger o ofensor de um castigo pior do que o crime. Pois geralmente o ofendido quer retribuir em dobro a ofensa ou o dano. Esta lei não dava ninguém o direito de vingança pessoal, mas era aplicada por um juíz como uma forma de guiá-la em sua sentença. Essa mesma Lei aparece no Código de Hamurabi, o código de leis mais antigos do mundo(2285 a.C. - 2242 a.C.) do império babilônico.

39 Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;

Bater na face direita é bater com o dorso da mão. Segundo a Lei rabínica bater com o dorso da mão é duplamente ofensivo. Jesus e seus seguidores ofereceram a sua face, pois Cristo foi acusado de ser amigo de publicanos e prostitutas, ou seja, que seu caráter era corrupto e que ele frequentava aqueles lugares promíscuos. Os cristãos foram acusados de incendiários, de canibalismo(pois comiam a carne de Cristo) e de praticar orgias durante as suas celebrações da Festa do Amor(ágape).

40 e, ao que quer demandar contigo e tirar-te a túnica, deixa-lhe também a capa.

A capa era usada de dia como toga e de noite como telha. Êx.22.26,27 - A Lei permitia que a túnica fosse confiscada, mas a mesma deveria ser restituída antes do pôr-do-sol. Jesus está nos ensinando a não exigir aquilo que nos é por direito. A viver como se não tivéssemos algum.

41 Se alguém te obrigar a andar uma milha, vai com ele duas.

Segundo a lei daquela época um cidadão romano poderia obrigar alguém dos povos dominados, nesse caso os judeus, a carregarem uma carga por uma milha que equivale a 1,5Km. Simão o cireneu carregou a cruz tendo como base esta lei.

42 Dá a quem te pede e não voltes as costas ao que deseja que lhe emprestes.

43 Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo.

Isto não está na Lei, mas isto procedeu de um entendimento errado da Lei.

44 Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;

45 para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.

Deus é bondoso com os maus e bons, com justos e injustos. Se fizermos algo abaixo desse nível dando preferência somente aos bons e justos estaremos praticando uma justiça que não procede de Deus. 

46 Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo?

47 E, se saudardes somente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?

48 Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste.

Deus disse a Abraão: Sê perfeito...!(Gn.17.1) e Jesus nos instiga a mesma verdade. A perfeição segundo Deus não seria nunca cometer erros, pois isto é impossível na nossa condição, mas sim sermos íntegros/inteiros.

sábado, 1 de abril de 2017

Razão e Emoção

 Se nos fosse perguntado em qual dos sentidos confiar, na razão ou na emoção? Provavelmente a maioria responderia a "Razão"; pelo fato da mesma ser derivada do conhecimento e nossas partes sensoriais serem apenas as vias pelas quais obtemos o conhecimento, ou seja, o reservatório do nosso conhecimento está na Razão  e por efeito e por lei hierárquica a Emoção deve ser submissa à Razão.
 Porém esta verdade não é o que vemos nos outros e muitas vezes em nós mesmos. A nossa vontade e sentimentos estão no comando, e a razão disso é que quando a Emoção deseja e faz algo contrário a Razão, momentaneamente nos sentimos bem, porém futuramente nos sentiremos mal e quando a vontade  quer algo fora da razão e a Razão vence e a submete ao seu comando, sentimos dor e insatisfação momentaneamente, mas futuramente nos sentiremos bem.
 Como foi observado não há como escapar da dor, ou a sentimos em um momento ou sentimos em outro, porém a  maior parte da humanidade escolhe a primeira opção pois pensam que a dor não virá mais tarde e quando ela vem, elas ainda perguntam: "Mas o que eu fiz para estar sofrendo deste jeito?"
 O Reino de Deus é caracterizado por aquilo que Jesus disse no Sermão do Monte, que são poucos que optam pelo Caminho Estreito. porque estes decidiram sofrer aqui e agora, e isto em dois sentidos, a curto e longo prazo. 
 A curto prazo, porque estes negam constantemente as suas vontades carnais que lhe trariam prazer temporário. E a longo prazo, pois sabem que sua obediência integral resultará em plenitude de alegria eterna.


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Como Posso Ser Feliz? - Aron Moss

Pergunta:

 Sei que devemos sermos sempre felizes, mas quando olho para mim mesmo e minha vida não vejo nenhum motivo para ser feliz. Pelo contrário, tenho todos os motivos para ser infeliz. Eu deveria ser capaz de simplesmente ligar o botão da felicidade quando quisesse?


Resposta:

 Sim, enfrentamos alguns desafios na vida, e sentimentos de desespero são compreensíveis. Mas podemos mudar a nossa situação. A felicidade nunca está além do nosso alcance. Isso porque a felicidade é o estado humano natural. Olhe para uma criança pequena. Crianças não precisam aprender estratégias para viver de modo positivo, e não precisam de um motivo para serem felizes.

 Precisam de um motivo para ficar tristes. Se uma criança chora, perguntamos: “O que há de errado?” Se uma criança ri, brinca e dança pela sala, não perguntamos “Qual o motivo da celebração? Por que está feliz?” Uma criança é feliz por si mesma; se não estão felizes deve haver um motivo, como precisa ser trocada, está com fome ou sede ou cansada, ou precisa de atenção.

 Mas se não houver nada de errado, a criança é feliz sem nenhum motivo. Em alguma parte as coisas mudam. Ficamos mais velhos e nos tornamos mais exigentes, mais difíceis de contentar, e perdemos este contentamento infantil.

 À medida que somos abalados pelos desapontamentos da vida, sentimos que precisamos de um motivo para sermos felizes. Se você vir um adulto caminhando com um grande sorriso, pergunta: “O que há de errado com você, por que está sorrindo?” A diferença é que uma criança não é autoconsciente.

 Elas são livres para serem felizes porque ainda não têm consciência de si mesmas. É somente quando amadurecemos que nos tornamos mais absorvidos em nós mesmos. Temos preocupações, desejos não satisfeitos e sonhos não realizados. Nenhum de nós pode dizer sinceramente que temos tudo, e sempre podemos encontrar motivos para estar aborrecidos.

 Mas uma criança não é incomodada pelo que está “faltando”, portanto ela tem tudo. A falta de autoconsciência a deixa livre para apreciar a vida e ser feliz. Quanto mais nos preocupamos com nossa própria felicidade, mais estamos longe de consegui-la.

 Assim que esquecemos daquilo que precisamos e nos concentramos naquilo para o qual somos necessários – o bem que podemos fazer pelos outros em vez do bem que podemos conseguir para nós mesmos – nossa alegria infantil volta e ficamos felizes.

 Este é o foco da alegria relaxar nossa severidade com nós mesmos e agradecer a Deus pela oportunidade de estar vivo. Mesmo nos tempos mais sombrios, ao nos tornarmos focados na missão em vez de auto-concentrados, podemos acessar nossa alegria interior.

 A felicidade não está em algum lugar lá fora; está no lado de dentro, naquela parte de nós que é para sempre jovem e sempre doadora – nossa alma.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Paixão


 Todo ser humano já testificou por experiência de que é impossível ter um relacionamento firmado no sentimento que nomeamos de "paixão", pois como já vimos, este não possui durabilidade, e um relacionamento só pode ser sustentado por algo contínuo como o amor, que como afirma a Bíblia, ele(o amor) nunca acaba(ICO.13.8).

 O amor envolve também a razão, pois assumimos um compromisso de amar nosso cônjuge sobre quaisquer circunstâncias, já a paixão envolve apenas o sentimento sem ligação nenhuma com a razão.

 Creio que todo ser humano desejaria ter um relacionamento em que a paixão estivesse acesa em todo o momento, mas realmente isto é impossível. Creio que isto seja até mesmo predeterminado por Deus.

 Pode até mesmo haver o caso de alguém já comprometido, vier a se apaixonar por outra pessoa; se esta se utilizar da razão saberá que está errada, ainda que seus sentimentos a obriguem a agir ao contrário da lei do amor, esta saberá também por intermédio da razão que: "assim como a paixão foi embora com seu cônjuge, assim também acontecerá com esta".

 Quando a paixão atua, o coração é inflamado e produz uma ardência muito forte, de modo que a razão perde totalmente o controle de comando, submetendo-se aos sinais que a paixão lhe transmite.

 A paixão é para um relacionamento, o que um par de rodinhas é para quem irá aprender a andar de bicicleta. As rodinhas são úteis e necessárias para que aprendamos a andar de bicicleta, mas não podemos esperar viver sempre com as rodinhas, elas são um meio para que passemos a um nível superior que é: andar sobre duas rodas.

 As rodinhas facilitam o andar de bicicleta para quem recém começou e da mesma forma a paixão facilita a iniciação de um relacionamento, mas não podemos esperar estar sempre apaixonados, pois a paixão se estabiliza no amor, este é o "andar sobre duas rodas".

 Conclui-se então que a paixão é útil e proveitosa para a iniciação de um relacionamento, porém o alvo dela é nos direcionar há algo mais sustentável que é o amor.

Frase - C. S. Lewis (1898 - 1963)


sábado, 2 de julho de 2016

Os Oito Níveis de Caridade

Há oito níveis de caridade, cada qual mais elevado que o seguinte.
 1.O nível mais alto, acima do qual não existe outro, é apoiar um irmão com um presente ou empréstimo, ou fazer uma sociedade com ele, encontrar emprego para ele, a fim de fortalecer sua mão até que não precise mais ser dependente de outros.
 2.Um nível abaixo em caridade é dar aos pobres sem saber para quem está doando, e sem que o receptor saiba de quem recebeu. Isso é cumprir um mandamento apenas em prol do céu. É como o “fundo anônimo” que havia no Templo Sagrado [em Jerusalém]. Ali os justos doavam em segredo, e os pobres bons lucravam em segredo. Doar a um fundo de caridade é semelhante a este modo, embora não se deva contribuir para um fundo de caridade a menos que se saiba que a pessoa designada para cuidar do fundo é confiável e sábia, além de bom administrador.

 3.Um nível abaixo desse é quando alguém sabe para quem está doando, mas o receptor não conhece seu benfeitor. Os Sábios mais notáveis costumavam caminhar em segredo e colocar moedas nas portas dos pobres. É realmente valioso e bom fazer isto, se aqueles que deveriam ser os responsáveis por distribuir caridade não são merecedores de confiança.

 4.Um nível abaixo que esse é quando a pessoa não sabe para quem está doando, mas o pobre conhece seu benfeitor. Os Sábios costumavam atar moedas em suas túnicas e atirá-las por trás das costas, e os pobres iam apanhá-las nas costas das túnicas, para que não ficassem envergonhados.

 5.Um nível abaixo é quando alguém dá diretamente ao pobre, na sua mão, mas dá antes que lhe seja pedido.

 6.Um nível abaixo é quando alguém dá ao pobre após ter sido pedido.

 7.Um nível abaixo é quando alguém dá de maneira inadequada, mas alegre e com um sorriso.

 8.Um nível abaixo é quando alguém dá de má vontade.